Beleza e desigualdade

E na semana que casualmente acabou tratando quase exclusivamente de imagem pessoal, mais um texto ótimo para lermos: a coluna da Nina Lemos na TPM falou sobre a liberdade de que se tem na Alemanha quanto ao quesito "beleza". Leia a íntegra aqui.

"Pois é. Viver em Berlim é deixar para trás 90% da sensação de que você é feia, gorda, baranga, velha. E que precisa fazer algo sobre o seu corpo urgentemente. Não sei se funciona com todo mundo. Comigo funcionou.
As senhoras não têm plástica. Elas se vestem como querem. O cabelo branco é liberado e as rugas também. Saímos na rua sem um pingo de maquiagem quando não estamos a fim e nos acostumamos com isso. E até em alguns anúncios e revistas de celebridades as pessoas têm rugas.
Viver em Berlim é deixar para trás a ideia que acaba nos perseguindo no Brasil: sou feia. E a angústia que isso traz. Viver sem se achar feia é uma liberdade e tanto. E quem quiser responder esse texto me chamando de feia, sinta-se a vontade, não vai doer muito. Doía mais no Brasil."

Gente, que coisa mais maravilhosa que deve ser isso! Não ter patrulha lhe olhando feio porque seu cabelo está mal pintado, ou sua roupa está fora de moda ou, o mais comum, você está gorda para os padrões esqueléticos de beleza daqui.

Acho que essa indiferença à beleza feminina é um avanço incrível. Veja: mesmo aqui não há patrulhas para criticar homens que estão perdendo cabelo ou ficando com barriga. Um lugar em que pararam de patrulhar mulheres significa que foi alcançado o que todos almejam: a igualdade entre os gêneros.

Lá, a primeira ministra pode ter rugas, não ter as unhas pintadas e nem ter feito plástica: continua sendo levada à sério e respeitada pelo seu trabalho, não julgada pelo seu visual.
Angela Merkel, chanceler da Alemanha 

Aqui, a presidente é sempre foco de pseudo-notícias que falam se ela emagreceu ou engordou, de quem é a roupa que usou e, claro, praticamente obrigada a fazer plástica para ficar visualmente melhor para - então - ser levada a sério. 
 
Somos muito atrasados. Estamos muito atrasados. Espero, sinceramente, que consigamos algum dia alcançar essa igualdade que existe na Alemanha, para o bem das mulheres que sofrem diariamente com preconceito e julgamento por fatores meramente estéticos. 

                                              Pense bem: não vivemos um absurdo?
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