Kondo / Destralhando o guarda-roupa

Você já leu sobre o método de organização de Marie Kondo? Ela é uma consultora organizacional japonesa, autora de quatro livros que já venderam mais de dois milhões de cópias ao redor do mundo. Atualmente só se fala sobre o Konmari Method nos sites sobre o assunto e, realmente, a visão dela é bem interessante. 
Resumidamente: 
Ela percebeu que quando escolhia organizar a casa por locais, estes não se mantinham em ordem por muito tempo. Logo acumulavam novas tralhas e aquela limpeza ideal ia embora. 
Então ela teve a ideia de organizar por categoria. Exemplo: ao invés de arrumar só o armário de roupas do seu quarto, a arrumação ideal seria com toda sua roupa que houvesse na casa, incluindo peças que estão armazenadas em malas, em outros quartos e até mesmo na lavanderia. Com isso espera-se que não hajam "surpresas" escondidas em outros cantos que, depois de um tempo, surjam atrapalhando.

E além disso ela postulou regras simples para essa limpeza:

Dá para perceber claramente que, destas regras, as primeiras seis tem como foco não Organização, e sim, Destralhamento
Esse assunto está sendo cada dia mais discutido, e com razão: nossas vidas se tornaram mesmo um foco de acúmulos desnecessários. Quantos celulares você já teve, ou ainda tem esquecido em alguma gaveta? Quanta roupa de fast fashion não compramos simplesmente pela lógica de que "está barato"? Quantos livros estão acumulados sem leitura? E por aí vai...

Olha só: Kondo aconselha a dar tudo o que não é necessário e que não nos traz alegria [spark joy]. Já pensou como temos coisas em nossos guarda-roupas e em nossas casas que se encaixam nesse perfil?

Os sites e blogs de minimalismo batem incansavelmente na tecla: vamos destralhar (declutter) nossa vida e, com isso, dar valor ao que realmente importa e nos faz feliz. E essa ideia muitas vezes repetida, somada aos ensinamentos de Marie Kondo, me convenceram a testar essa nova filosofia.

Então, saindo da teoria e indo para a prática, vou lhes contar como foi o destralhamento do meu guarda-roupa. Se você também se animar, preste atenção:
Importantíssimo! Escolha um dia em que você está sozinha -- sem filhos, sem marido, sem cachorro -- porque o processo é uma revolução completa e vai requerer toda sua atenção e fôlego.
Em seguida, mãos à obra: tire tudo do seu guarda-roupa. Busque em outros cômodos toda e qualquer peça de roupa sua que esteja estocada fora do quarto e junte tudo numa imensa pilha.

E abaixo transcrevo exatamente o que anotei durante e após a experiência:

"Meio-dia: começa a saga. Tirei tudo dos armários. T-U-D-O. Duas montanhas enormes, uma sobre a cama e outra no sofá.

Coloquei cartazes no espelho e na entrada do quarto com as metas:
1- Objetivo: DECLUTTER
2- Dramático / Sofisticado / Rocker [são m/estilos, para não perder o foco]
3- Só o que faz o olho BRILHAR
4- Não é Moda, é Estilo

Limpei todo o guarda-roupa vazio por dentro. Fiquei cansada, suando: fui para o banho.
Próxima ação: experimentar todas as calças.

14hs: na sequência, vam'bora experimentar camisas e camisetas e malhas.
Com o olhar crítico e olhando no espelho de frente e de costas, ficou mais fácil triar as peças. E ainda fiz um truque: agi como se estivesse em um brechó, escolhendo só peças que tinham a ver comigo, que ficavam bem.
No começo foi mais fácil escolher as roupas que seriam dadas; com o cansaço do dia, essa decisão foi ficando cada vez mais enrolada.

16hs: quase terminando a seção de blusas. Próxima hora: vestidos, casacos e saias.

Às 18hs eu estava francamente DESISTINDO. Coloquei as roupas de ginástica, praia, viagens e agasalhos no baú e passei até às 19hs recolocando as peças remanescentes nos guarda-roupas. Ainda não ficou organizado, só coloquei do jeito que dava, porque não tinha mais forças nem inspiração.

- Tirei 35 cabides e duas malas de roupas."

Final do domingo e ainda estou me recuperando das sete horas da experiência. Por um lado foi super revelador: algumas marcas que eu comprava e que eu sempre desejei se mostraram nada a ver com meu estilo real. Algumas peças novas, ainda sem uso, foram descartadas e coisas mais antigas ficaram. Não há padrão, é realmente uma triagem um a um.

Ainda não considero a experiência como acabada. Além das roupas que ficaram "escondidas" no baú do quarto e que passarão por primeira vistoria, sinto que preciso repassar o que mantive no guarda-roupa olhando, novamente, se efetivamente todas as roupas que ficaram trazem o spark joy esperado. E, da mesma forma, revisar as peças que desprezei no ímpeto do momento, para ver se não cometi algum erro do qual vá me arrepender.

Advertência [blog de Farmacêutica tem disso]
Acho que essa limpeza radical só deve ser seguida por quem está efetivamente querendo ter menos itens guardados. Ela não tem nada a ver com aquela limpeza que às vezes fazemos nas roupas, sapatos, bolsas, etc., que visa muito mais excluir o que não serve, não está bom, do que diminuir o guarda-roupa. No meu caso, após um surto consumista gerado por razões meramente psicológicas [não serão todos assim?], me vi com uma quantidade colossal de roupa, sendo que isso passou a me incomodar. Tirar algumas peças pelo método antigo não adiantou nada -- fiz isso há um mês e o pouco espaço que ganhei foi prontamente preenchido por novas aquisições. Agora, com uma destralhagem RADICAL, pretendo que a conscientização de todo o trabalho e $ aplicados e perdidos fique visível e não dê mais margem a novas compras.

Conclusão
No meu caso foi imensamente útil aplicar o método Kondo, nunca havia feito organização pensando em declutter e em minimalismo. Foi revelador e produtivo. Espero ter conseguido só deixar peças que amo, pois isso vai cimentar minha força de vontade para que não caia novamente na armadilha das compras. ...

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