Logos visíveis

Você gosta que sua bolsa tenha o logo da marca estampado claramente ou prefere ser low profile e usar uma bolsa de qualidade superior mas que não tenha identificação visível?
Apesar das marcas de luxo Prada, Louis Vuitton, Gucci estarem preocupadas pelos consumidores endinheirados apresentarem sinais de que estão preferindo peças discretas e sem logo -- fato constatado ao terem queda de vendas em 2014 -- por aqui ainda não se percebe essa tendência ao minimalismo na ostentação. E, francamente, nem em muitas grifes internacionais de roupas.
No vestuário, Kenzo parece ser a campeã da logomania  :D

Segundo esta reportagem [link] o consumo de luxo está migrando, das grifes mais visadas, para marcas de nicho como Zadig & Voltaire, Sandro e Rag & Bone.
"Com casacos de US$ 895 e botinhas de US$ 525, tais grifes são relativamente acessíveis em comparação com empresas superluxuosas (apesar de serem ainda bastante caras para a maioria). "
"Outro agravante é o fato de os consumidores interagirem com as marcas de luxo no Instagram, no Pinterest e em outros canais online, o que acelera o tempo com que um sapato ou uma bolsa outrora considerado indispensável leva para tornar-se comum. “As redes sociais nos deixam insensíveis a coisas que antes pareciam especiais, pois as vemos repetidas vezes”, acredita Aba Kwawu, diretor da empresa de relações públicas TAA. “Quando os produtos chegam às lojas, os consumidores já não estão tão interessados”."
É o mundo online influenciando e modificando o comércio do luxo. Será que alguém previu que isso aconteceria?
E realmente, nunca se viu tantas roupas e bolsas de grifes caras sendo usadas no dia a dia por modelos, blogueiras, artistas, etc. Isso de certa forma "populariza" o item, causando nos clientes originais o desejo de possuir coisas mais raras e sutis, só reconhecíveis por insiders.

Para as marcas em si essa atitude é um problemão.
“Uma empresa que investe nisso por tantos anos terá de se envergonhar porque há uma tendência que diz que logos não combinam com sofisticação?”, questionou Marco Bizzarri, diretor executivo da Gucci."

Mas a pergunta inicial aqui era: exibir ou não aquela aquisição de muitos mil Reais?
Como é sabido, uma bolsa de luxo tem parte de seu alto custo ligado à fabricação e materiais de primeira linha, e outra parte ligada ao imaginário dos consumidores daquele item, o qual pretende ser algo único e especial (a.k.a. status).
Todo ser humano tem prazer em se destacar no meio de seu grupo e é isso que o logo faz imediatamente: comunica que seu dono é portador de um item-desejo.
Então, acredito que para quem alcançou agora sua primeira bolsa grifada, a tentação de desfilar com ela será irresistível.

Já para quem está acima deste jogo, para quem tem tanto $$$ que a bolsa e a roupa top são meros itens de consumo frequente, o logo se torna um chamariz desnecessário. Melhor migrar para luxo menos conhecido e menos estampado. É o caso das peças da Bottega Veneta, da Proenza Schouler, das criações de Paula Cademartori, etc. Menos logo e alta qualidade.
Como tudo demora para chegar efetivamente no Brasil, ainda podemos usar nossa Prada's e Gucci's sem receio. Mas já pensou se elas virarem sinônimo de mal gosto fashion?

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