Depressão e ansiedade

Li dois textos em blogs, acerca de depressão, que me deixaram estarrecida. As duas autoras alegam que se curaram sem remédios, só com "força de vontade".
 
Você se cura com tempo e força de vontade das depressões por motivos externos, como perda de parentes, de emprego, de saúde, enfim: a perda de algo importante em nossa vida sempre nos deixa tristes e cabisbaixos, o que chamamos também de depressão.

Mas quando falamos de depressão por um desequilíbrio das aminas biógenas (aka, uma doença), não existe força de vontade que resolva.
 Você se isola, não vê sentido em nada, as tarefas mais corriqueiras se tornam um fardo. 
É muito difícil e não "passa" sozinha.

Nesses casos, a medicação é necessária e age regulando a química cerebral que está defasada, tentando acertá-la para que possamos colocar a vida novamente nos eixos. Muitas vezes o resultado é surpreendentemente bom. Outras, vários remédios têm que ser testados até que um deles ofereça a melhora esperada.
Como não existe um exame de laboratório que quantifique os níveis exatos de serotonina, noradrenalina e dopamina, é realmente uma questão de erro-e-acerto encontrar o equilíbrio e a medicação certa, sendo importantíssima aqui a experiência do psiquiatra que receitará a droga.

Dado curioso: sabia que a depressão e a ansiedade andam juntas em muitos casos? Aparentemente parecem ser coisas antagônicas, não é? Mas esses dois distúrbios são comuns de serem encontrados juntos e usam, inclusive, a mesma classe de medicamentos para o tratamento.

Portanto, se você está triste, fique tranquila que o tempo deve curar essa melancolia.
Mas se você tem depressão por alteração de neurotransmissores cerebrais, não abdique de consultar um psiquiatra.

Precisamos desmistificar as doenças de cunho cerebral. É uma DOENÇA. Você vai ao médico quando tem úlcera, diabetes, pressão alta, dor de garganta. Tem que ir também quando tiver depressão ou ansiedade reais.

A última coisa que precisamos é de leigos que, ainda por cima, incutam culpa em quem precisa de tratamento real e acaba se achando derrotado por não ter a força-de-vontade para se curar sozinho.

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