Entre tirar e pôr

Adoro domingo de manhã. É dia de tomar café da manhã devagar, conversando, de sentar na varanda sem fazer nada, de ter tempo para meditar. Entre duas espreguiçadas, pensei no livro que gostaria de ler (mais um!). De repente, um alerta surgiu na minha mente: “É preciso tirar, não colocar. ”

Sem sentido? Ao, contrário, faz todo o sentido do mundo.
 

Ultimamente, tenho olhado meus armários, desalentada, diante da quantidade de roupa acumulada em poucos meses. Tenho comido vorazmente como se minha vida dependesse disso. Para mim, nunca leio ou faço o suficiente. A vítima perfeita de uma sociedade que diz o tempo todo: consuma, consuma, consuma...
 

Tirar significa se desfazer da bagagem excessiva e fazer circular aquilo que já se tem. Compartilhar o que sabe, encontrar um caminho de saída para os sonhos e as emoções. Pensar menos, viver mais!
 

Nossa saúde se expressa no ritmo da respiração cadenciada, no movimento contínuo de expansão e recolhimento. E assim, muitas vezes, teremos que fechar para balanço, verificando as faltas e os excessos em nossas vidas. É um esforço delicado, trabalho de ourives. Mas, talvez através dele, se possa criar o equilíbrio que nos ensina a obter e reciclar, em uma ecologia interna de bem viver.
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 Texto de Marise Ribeiro: professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy.

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