Filme: Hope Springs

Hope Springs [Um divã para dois, na tradução para o Brasil] é a história de um casal com 31 anos de convivência, filhos já morando fora de casa e rotinas sem interface.
Os dias passam iguais, a comunicação é mínima e sobre fatos, nunca sentimentos. Até que a esposa toma uma atitude radical para quebrar a situação: compra um pacote de viagem de uma semana para o Maine num programa de terapia intensiva de casal. 
 
O marido, que inicialmente surta com a ideia, acaba indo à contra gosto, reclamando de tudo o tempo todo, criando longos monólogos meio gritados nos quais "prova" o quanto tudo está errado, que é uma perda de tempo e dinheiro, que por ele jamais teriam caído nessa embromação.  :D

O enredo enfoca, enfim, o quanto nos apegamos perigosamente às rotinas e como negligenciamos as pessoas que estão conosco há mais tempo. Afinal, são as que achamos que já nos conhecem tão bem que não precisam mais receber atenção, conversa, agrados, atitudes que demonstram amor. No final das contas, está subentendido que as amamos, não está?

Mas, fato é que o que sabemos racionalmente muitas vezes precisa de confirmação recorrente para nossa parte emotiva, essa danadinha carente.

Duas coisas ficaram claras no filme: a manutenção da intimidade, carinho, amor, passa necessariamente pela existência de uma vida sexual satisfatória; e que o instinto provedor masculino ainda é muito forte nesta minha geração, logo, a reserva de um bom restaurante ou hotel é, na verdade, uma declaração de amor não verbal.
[Sabe quando "cai a ficha" que seu marido tem lhe demonstrado um imenso carinho através dessa forma não verbal, sendo que eu nunca tinha percebido que existia uma outra dimensão nessas atitudes?]
 
A película é de 2012 e está classificada como "comédia". Mas não espere rir, acho a catalogação meio forçada. Afinal, é um assunto delicado e o fato de não o tratarem como dramalhão não faz automaticamente com que seja comédia.
 
Se você faz passou das Bodas de Prata, assista. o/  [Disponível no Netflix]
 

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