Nunca suficientemente magra

O livro "Jamais assez maigre" [Nunca suficientemente magra], escrito pela ex-top model Victoire Maçon Dauxerre - que já foi uma das vinte modelos mais requisitadas do meio fashion - denuncia os abusos aos quais as mulheres são submetidas para se enquadrarem em um padrão de beleza irreal e que ameça a saúde. 
Selecionada pela Agência Elite, a francesa troca Paris por New York para se lançar no mundo da moda, onde o sucesso parecia estar ao seu alcance. Afinal, ela era jovem, bela e magra. Mas, logo descobriu, não era magra o bastante. Para desfilar na Semana de Moda ela deveria passar do tamanho 36 para o 32. Em dois meses.
"Ninguém me disse que tinha de perder peso. Disseram-me que em setembro iria à Fashion Week, que as roupas eram 32-34 e que tinha de caber nelas", confessa.
Para realizar essa façanha, ela substitui três refeições diárias por... três maçãs acompanhadas de água com gás, e apenas um pedaço de frango ou peixe por semana. Resultado: ela se torna um ser esquelético de 1,80 m e 47 quilos e conquista seu lugar nas passarelas. Preço da aventura: uma anorexia nervosa que combate por muitos anos.
Agora a ex-modelo veste 38 e é reconhecida pela sua difícil luta contra a anorexia, motivo pelo qual está empenhada em desmitificar a indústria da magreza.


Seu caso não é incomum. Como ela, muitas mulheres se sentem oprimidas pelo padrão de magreza excessiva, veiculado como belo. E não apenas modelos e bailarinas. Mulheres de todas as idades se comparam e sentem-se aquém do esperado. 'Não, não somos magras o suficiente'.

No entanto, quando a indústria da moda exige um manequim tão reduzido, não é para valorizar a beleza feminina, mas para que a roupa tenha um caimento ideal, sem pregas e sem ondulações. Alta e extremamente magra, a mulher é transformada em cabide. E isso não deveria ser nosso sonho de consumo. 

Ao contrário, acho que devemos encontrar e honrar aquilo que há de único em cada uma de nós, sem nos deixarmos manipular. Reconhecer, pura e simplesmente, que a beleza existe sob todas as formas. E, afinal, está na hora do mundo da moda voltar-se para a mulher real que, por definição, tem elegantes curvas. Não há nada de errado em ser escandalosamente curvilínea!

Hoje procuro ser minha própria referência. Não é fácil, mas é sábio
Outro dia ouvi uma amiga dizer: "Perdi muito tempo achando que eu seria feliz quando ficasse magra. Hoje não faço mais isso. Aproveito cada dia!"
Isso resume tudo: Vamos escolher viver autenticamente, sem pedir autorização. Um brinde à quem você é!
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 Texto de Marise Ribeiro: professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy.

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