Vamos sonhar?


Os acontecimentos políticos e sociais dos últimos dias me levam a uma reflexão a respeito do comportamento humano. Ao observarmos crianças e adolescentes em toda sua espontaneidade, vemos com que facilidade eles expressam sua indignação frente a tudo que é frustrante. Mesmo usando os recursos de acordo com a idade e o amadurecimento emocional há, via de regra, a manifestação de uma força de vida que atua no sentido de buscar a modificação daquela realidade limitante; há portanto a ideia de que é possível alterar aquela realidade.

Talvez o grande divisor de águas que nos distancie deles seja exatamente essa capacidade de sonhar e de acreditar que é possível realizar o sonho.

Distraidamente vamos vivendo e nos deixando calejar, criamos uma crosta grossa para que nossas feridas não sangrem, e representamos o papel de adultos adaptados frente a tantas situações adversas. E é justamente aí que mora o grande perigo, quando debruçados que ficamos nas janelas de nossos medos, esquecemos a força que temos de desconstruir aquela descrição de mundo e sonharmos outros sonhos.

Independente do cenário político, que não tenho a menor pretensão de analisar, fica o ganho da oportunidade de sairmos da mesmice, de soltarmos a voz, o choro, as garras, de injetarmos vontade em nossas veias, vontade do novo, vontade da mudança, com a clara consciência de que a mudança que queremos ver no mundo começa impreterivelmente dentro de nós.
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Texto de Ana Amorim: psicóloga, PUC-SP

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