É outono: deixe que o vento leve


Sempre tive uma relativa facilidade em me desapegar. Alguns dirão que é frieza. Mas não é. É sabedoria de alma velha.
Quando um vaso se quebra não fico me lamentando, me culpando. Não. Eu acho que aquele objeto já cumpriu seu papel na minha vida, me sinto grata, e me pergunto: o que será que vem para ocupar o lugar dele?  
Muito tempo atrás vivi meu divórcio como uma oportunidade, uma porta aberta para poder encontrar o homem da minha vida. E assim foi. 
Não fiquei com saudade da barriga de grávida quando meu filho nasceu, nem com saudade do bebê que ele foi. Cada fase tem seu tempo. Cada tempo, sua alegria e sua dificuldade.
Também não fico pensando no que teria sido... se eu tivesse feito... Fazemos o que é possível, o nosso melhor a cada momento.
Deixar ir é o único caminho para encontrar o novo.
Quantas vezes não andamos pesadas de tanto carregar o passado? Lembrando o dito, o não foi dito, arrastando rancores. Para quê?

Neste outono, faça como as árvores. Deixe ir o que está seco, o que já não traz vida ao seu coração. E permaneça serena. A árvore sem folhas prenuncia o renascimento. No seu interior está gestando o novo. 
Abra os armários e tire o que não usa mais. Jogue fora papéis velhos e ressentimentos. Crie espaços livre na sua casa e na sua imaginação. Arranque do peito o choro contido e a gargalhada escandalosa. Seja. Apenas isso. Desprenda-se da árvore, ganhe os céus. A transformação faz parte da natureza. E ela nos convida a nos reinventar. Continuamente. 
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 Texto de Marise Ribeiro: professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy.

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