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Dia das Mães

Hoje é domingo, Dia das Mães, e depois de decidir escrever sobre o assunto me dei conta da complexidade do tema. Várias ideias passearam pela minha cabeça, e todas pecavam pelo exagero: algumas me pareciam piegas demais, outras óbvias demais, outras realistas demais... como encontrar o caminho do meio para uma função que é superlativa?? Não tenho lembrança de ter escutado de alguém um comentário “morno” sobre sua mãe e nem consigo pensar na minha nesses termos; parece que mãe é a representação do excesso, seja esse para o bem ou para o mal. A famosa definição de que ser mãe é padecer no paraíso é prova disso.


Toda e qualquer teoria sobre o desenvolvimento da criança coloca a relação com a mãe como ponto central, e nem poderia ser diferente. Esse é o primeiro vínculo que ela estabelece e o modelo primário de todos os outros vínculos que ela estabelecerá pela vida; não é à toa que as mães costumam carregar sentimentos de culpa, reais ou fantasiosos, afinal a responsabilidade é grande.

E, via de regra, o amor também.


 E é nessa encruzilhada que tantas vezes nos atrapalhamos. Tudo bem que na teoria amar e educar são parentes próximos, possivelmente um não exista sem o outro. Mas na prática diária não é tão fácil quanto possa parecer; talvez um dos grandes desafios da maternidade seja justamente equilibrar esses dois pratos da mesma balança.

Há quem predominante incorpore o papel da educadora e os filhos crescem como se estivessem morando em um quartel. As regras prevalecem sobre o bom senso, as decisões são unilaterais, os deveres sobrepõe-se aos direitos e, as escolhas... bem, as escolhas são feitas pela mãe general; aos filhos cabe cumpri-las para poderem sentirem-se aceitos e, com sorte, amados.

Há quem predominantemente incorpore o papel de quem ama incondicionalmente e aos filhos tudo é permitido. Os desejos prevalecem sobre as regras, os direitos prevalecem sobre os deveres e as decisões e escolhas são delegadas às crianças, tenham elas ou não condições de fazê-lo, mesmo que isso signifique uma corrida diária da mãe equilibrando um prato de comida pela casa na tentativa de acertar a colher dentro da boca do filho, que ensandecido corre de um lado para o outro, sem limites ou discriminação, e que, com sorte, talvez consiga sentir-se amado.

É, ser mãe é desafio pra gente grande, para mulheres que se propõe a crescer junto e através dos filhos, para aquelas que tem coragem de enfrentar o medo do fracasso, próprio e alheio, e o medo da perda em todas as suas possíveis definições.  É desafio para quem topa se rever o tempo todo, costurar e descosturar conceitos e certezas, tecer a trama da relação com amor e respeito, firmeza e delicadeza. Ser mãe é estar em contato íntimo com a natureza feminina e poder manifestar essas qualidades de gestar, parir, receber, acolher, alimentar, agasalhar, esperar, tolerar, decidir, fazer, aconselhar, cobrar, e não sei mais quantos verbos que transformam-se em ação na rotina diária.
 

Nem todas as mulheres que pariram uma criança são, de fato, mães. E há também mães com filhos que nasceram de escolhas do coração, há mães sem filhos que exercem a maternidade no cuidado e no amor com outras pessoas, há homens mães e há filhos mães que cuidam de seus pais como foram por eles cuidados. E entre todos os tipos de mãe há um denominador comum, uma vocação para amar e cuidar dos filhos que, como bem nos lembra o filósofo e poeta Gibran Khalil Gibran, filhos esses que não nos pertencem!  
Feliz Dia das Mães!!
 

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Texto de Ana Amorim: Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos.

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