E então, o que te faz feliz?


Embora o título possa te remeter a propaganda de algum supermercado, não é disso que se trata esta postagem. Na verdade tenho refletido sobre o assunto e me deu vontade de fazer algumas considerações: já parou para pensar o que é, para você, felicidade?

A maioria de nós tem por hábito colocar a felicidade ou no passado ou no futuro. Quando a colocamos no passado nos tornamos saudosistas e criamos um tanto de melancolia em relação ao que vivemos em algum momento e que não mais pode ser reeditado. Sentir gratidão pelo que foi vivido é essencial e saudável, mas querer “morar” nas lembranças é tentar construir uma casa no ar.

Quando a colocamos no tempo futuro tampouco somos capazes de alcançá-la, ela está em algum lugar idealizado e distante de nós. E é muito curioso a facilidade que temos em transitar por pensamentos que vão desde “naquela época, naquele dia, naquele lugar eu fui feliz” até os que alimentamos tais como “quando eu for, quando eu conseguir, quando eu puder, eu serei feliz”.

E o presente, o aqui e o agora, o que fazemos com ele? O que fazemos com esta possibilidade real e atual de vida? Bem, se não estamos presentes para vivê-lo fica complicado. Se estivermos ocupados demais com as lembranças de um lado e as projeções do outro deixamos escapar justamente o que mais desejamos, a tal da felicidade. Porque ela, essa criança inquieta, provavelmente não tem uma forma definida, nem uma cor única ou um aroma determinado. Ela é uma composição de várias nuances, um filtro interno e individual através do qual cada um percebe o mundo. Felicidade talvez seja predisposição para o belo, o possível, a intensidade, a alegria. Também pode ser  paz,  consciência,  generosidade, mansidão. Para mim não há felicidade sem amor no coração e amigos na proximidade. Mas ouvir uma boa música, deixar-se encantar por um bom livro, saborear um café gostoso, cair na risada, rir de si mesmo, rir para si mesmo, acaso não são tonalidades da felicidade?
Foto de Anna Remarchuk
 
E isso tudo e muito mais estão absolutamente disponíveis no momento presente. A ducha quentinha em um dia frio está dentro do seu banheiro, aquele por de sol maravilhoso está no final de muitas tardes, o amigo distante pode ficar próximo com um gesto seu, o filho agressivo pode se desarmar com um abraço. Isso sem falar de um beijo gostoso, de um olhar expressivo, de um carinho no coração.

E então, o que é que te faz feliz? E o que você pode fazer hoje, aqui e agora, para sentir-se feliz? Mãos a obra, a hora é já.

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Texto de Ana Amorim: Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos.

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