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O tempo de que dispomos


Final do dia. Invariavelmente, me pergunto se fiz bom uso dele. É a grande questão. Como vivi essas horas que me foram dadas?

Para mim, um dia bom precisa ter movimento, alguma atividade física, por leve que seja. Não é necessariamente fazer uma aula de ginástica. Pode ser trocar plantas de lugar, mexer nos armários, enfim, qualquer atividade que não seja feita sentada e que me dê prazer.

Deve ter algum aprendizado. Um texto, um livro apaixonante, um filme ou documentário me fazendo colocar os eventos do dia a dia em perspectiva. É como abrir a janela e perceber novas paisagens. Ah, o novo! Houve algo novo neste dia? Ou foi a repetição do mesmo dia da semana passada, do mês passado, do ano passado...

Meu lado “militar” exige o cumprimento das obrigações, de ter pendências resolvidas. É delicioso riscar objetivos realizados da minha lista. Mas, há sempre tanto para ser feito! A criatura angustiada que vive dentro de mim esperneia!
Quando vou me deitar, repasso os eventos e procuro ser carinhosa comigo, sem me cobrar excessivamente. No fundo, sei que não há regras. É bom quando estive presente de fato, cabeça e corpo trabalhando juntos. Com pessoas queridas que enfeitam o dia. Com ideias iluminando novas trilhas. E que apesar de todas as obrigações, erros e acertos, o que realmente importa é viver com o coração.

Deixo para Dom Juan Matus, homem de conhecimento que orientou Castaneda, a palavra final:
“Qualquer caminho é apenas um caminho e não constitui insulto algum - para si mesmo ou para os outros - abandoná-lo quando assim ordena o seu coração. Olhe cada caminho com cuidado e atenção, tente-o tantas vezes quantas julgar necessárias. Então, faça a si mesmo e apenas a si mesmo, uma pergunta: Possui esse caminho um coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma.” 
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Texto de Marise Ribeiro: professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy
 

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