Pular para o conteúdo principal

Perfeição e coragem, o que é de quem?

Reshma Saujani é uma americana de 40 anos, advogada, política e fundadora de uma organização chamada Girls Who Code, cujo objetivo é ensinar garotas a fazerem programação em tecnologia, capacitá-las a entrar nesse mercado de trabalho predominantemente masculino. Vocês já pararam para pensar o porquê desse mercado contar com tão poucas mulheres?

Segundo Reshma a resposta é simples e baseia-se na maneira como as crianças são educadas (leia-se condicionadas). As meninas são educadas para serem perfeitas e os meninos são educados para serem corajosos.
Para ver esse TED, clique aqui

A programação é um processo de tentativas e erros, requer perseverança, ausência de medo em se expor, em se mostrar imperfeito, em tentar inúmeras vezes até conseguir. Não acertar e continuar tentando parece ser um desafio para os homens e um indício de fracasso para as mulheres; o que Reshma propõe é que se ensinem as meninas a serem corajosas, destemidas, a se arriscarem.

Não sei pra você, mas pra mim faz sentido.
Muitas vezes o que imaginamos ser uma característica natural nada mais é do que a sedimentação de condicionamentos por séculos! Se observarmos crianças em idade escolar veremos que há uma diferença enorme na organização do material entre meninas e meninos. Elas tendem a caprichar na letra, no cuidado com o material, na limpeza e na ordem. Os cadernos das meninas costumam ser impecáveis, já dos meninos... Mas eles não sofrem essa cobrança da mesma maneira, boas notas compensam a falta de capricho, meninos são assim mesmo... e vai por aí afora.

Na adolescência há tantas mudanças hormonais que o corpo fica esquisito, parece crescer de forma desproporcional, o rosto fica cheio de espinhas, o cabelo oleoso, a voz esganiçada. Todos passam por transformações até tudo se organizar, e a aparência física gera insegurança. Os meninos são estimulados a se arriscarem nos primeiros flertes e as meninas a se cuidarem para serem flertadas... E nesse momento vem um grande reforço para que elas busquem a perfeição, e eles a coragem de se arriscar.

Outro dia, organizando fotos antigas, encontrei uma onde estou com meus pais passando férias de verão; devia ter uns 17 anos. Meus pais sentados em um banco e eu em pé ao lado deles. Bronzeada, longilínea, usando um shortinho verde água e uma regata branca que ressaltava a cor da pele, cabelos longos e soltos, fiquei admirada com aquela foto, como eu estava bonita! Imediatamente fui tomada por uma ponta de tristeza, nunca me senti tão bonita como eu estava me vendo agora na foto. Nunca tive essa segurança, talvez porque soubesse das minhas “imperfeições”, não tão magra como eu imaginava que deveria ser, o cabelo não tão liso quanto se usava, um pouco mais baixa do que eu considerava a altura ideal, ou seja, eu não era perfeita, e assim sendo não podia me ver bonita.
Quanto desperdício de tempo e energia!!   
Fico imaginando quantas oportunidades deixei passar, em quantas situações não me arrisquei, não dei a cara a bater, me fechei, me escondi por medo de não ser aceita porque não era perfeita!

Precisamos pegar pela mão essa menina insegura que vive em nós independente da idade que tenhamos hoje, essa menina assustada que nunca se percebe boa o suficiente, que arrasta um caminhão de culpas por não ser a melhor, não fazer o melhor, por não ter evitado o inevitável, por ter errado na cor do cabelo, no comprimento da saia, na palavra que não disse, no choro que saiu à revelia, na escolha equivocada.

Essa menina que não é a esposa perfeita, a amante perfeita, a mãe perfeita, a filha perfeita e dizer a ela que chega, agora basta, você menina não tem que ser perfeita, esquece isso, joga fora, vem ter a coragem de buscar ser FELIZ!
 
Imagem: post card enviado ao projeto PostSecret

_________________________________________________________________________________


Texto de Ana Amorim: Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos.

Comentários

Postagens mais visitadas

Julho sem Desafio

De uma hora para outra me vi precisando muito de itens que não tinha, e os culpados disso são:
frio!!! Este ano o frio pegou mesmomudança de pesoreposição de lingerie e de camiseta para dormirmãe querendo iPad Depois de constatar o acima, e mesmo sendo as substituições liberadas do Desafio, achei melhor fazer uma pausa para resolver definitivamente tudo o que era preciso.


❄ O frio me pegou de surpresa, descobri que não tinha mais que uma malha de cashmere e as camisetas de manga longa eram fininhas, ou seja: não dava para sobreviver só com isso nesta temperatura baixa -- pelo menos não de uma forma fashion.
Esta época é conhecida pelo look cebola: tudo usado junto, roupa em cima de roupa, na tentativa de se agasalhar ao máximo. Não gosto desse método, muitas vezes as peças não combinam nada entre si e o resultado é, para dizer o mínimo, bem ruim.
Entendem o que digo?
Depois de malhas, outra substituição necessária: calças jeans. Emagreci um pouco e elas ficaram largas na cintura e sobra…

Destralhe digital e real

Que incrível que é mudar os parâmetros que nos acompanharam a vida inteira, não é? Ultimamente só consigo pensar em diminuir meus pertences, exatamente o contrário do que sempre fiz.


Em Maio eu estava aqui reclamando da dificuldade que estava enfrentando para deletar arquivos no computador. Update: O destralhe digital ainda está acontecendo, mas a passos de tartaruga...
São dias e dias focada em textos, em dígitos, sentindo que estou sempre na mesma: o que eu limpei ainda é muito pouco frente ao montante de arquivos.

E acho que foi isso que me fez acordar uma manhã animadíssima para destralhar objetos.
Coisas palpáveis são muito mais fáceis de limpar, e ainda se vê claramente o resultado (ao contrário do digital).


Comecei juntando todos os meus cosméticos e afins, que estavam distribuídos por 4 lugares diferentes (olha só que coisa mais errada! 😱). Sentei no chão com eles e todos passaram por uma inspeção minuciosa:
(i) validade definida pelo fabricante,
(ii) validade do produto dep…

Dicas de presente para terceira idade - I

I- Para uma senhora idosa ativa

Pessoas mais idosas são difíceis de presentear pois os itens escolhidos têm que ser muito bem pensados para que não se tornem mais um estorvo dentro da casa ou do armário.
Vale aqui a mesma coisa que pensamos quando estamos procurando algo para alguém mais jovem: qual a rotina da pessoa? qual seu hobby? do que ela gosta mais?

Para as pessoas da terceira idade que mantém rotina agitada as opções são maiores. Sei disso porque meus pais têm quase 90 anos e são super ativos, viajam, lêem, assistem filmes. Sempre mais fácil presentear nesses casos. Com quem você tem intimidade estão liberados os itens de MODA como roupas, bolsas e sapatos. Aqui seguem ideias para presentear uma idosa ativa, porém não tão íntima para escolhermos os itens acima.


Colares
Adoro senhorinhas com muitos colares ou com peças bem coloridas. É uma época da vida em que você não tem que seguir moda, você FAZ sua moda.   Este acima seria perfeito para minha mãe, que gosta de cristais e br…

As críticas feitas ao Método KonMari

Como em um mesmo dia li duas críticas ao método de destralhamento e organização de Marie Kondo, ficou claro que está havendo uma facção contrária à numerosa corrente que a aprova e admira.

Um post diz que o método KonMari não faz a pessoa se tornar minimalista. E a explicação é que se você opta por guardar o que faz seus olhos brilharem, pode guardar muito mais coisas além do que seria estritamente necessário e essencial para sua vida.
O outro[a foto acima é desse artigo] é ainda mais incisivo e seu link diz ser "anti-marie-kondo-joy-of-clutter". Neste caso, a autora defende não haver nada de errado em termos quartos cheios de relíquias e peças colecionáveis. E ironiza ao dizer que o processo proposto pela japonesa de se agradecer aos objetos antes de doá-los chegou a um nível acima na antropomorfização.

Não sou advogada contratada para defender a Kondo e seu método [risos], mas me senti impelida a escrever porque não concordo com nada disso acima.

Ambientes ou armários abar…

Tênis branco

Se vocês acompanham qualquer site ou blog de Moda já devem estar cansadas de saber que o tênis branco virou um hit. Ele está sendo usado com tudo: calças, saias, vestidos curtos ou longos, alfaiatarias, shorts, jeans, etc. Nesta imagem do blog Futilish se vê bem a versatilidade:

Como esse tênis é para ser calçado com aquela meia quase sem cano, baixíssima, ou sem meia alguma, acho que alguns modelos simplesmente não rolam. O All Star, por exemplo. Eu o acho lindo, mas ele acaba com os calcanhares!
Por isso achei interessante mostrar esta opção aqui:
Tênis Corello por R$220.
Lindinho e parece ser bem macio pois tem calcanhar e entorno do pé acolchoado. Além de ser um modelo bem feminino e totalmente street (ou seja, nada a ver com tênis específico para academia), o que é obrigatório para se fazer bonito nessa moda.
E aí, gostou? Já tem o seu?