Você sabe com quem está falando?


Mário Sergio Cortella, filósofo, professor, escritor, em uma de suas deliciosas palestras nos coloca diante dessa máxima: Você sabe com quem está falando? Isso me remete ao livro “Os Quatro Compromissos” onde um dos tópicos refere-se à auto-importância.

Quantas vezes já não nos sentimos ofendidos em nossa “grandeza” e, se não verbalizamos, ao menos pensamos: Esse indivíduo na minha frente não sabe com quem está falando! Ou, de um modo mais corriqueiro, ‘quem você pensa que é para falar comigo desse jeito?’. Isso pressupõe que o outro ainda não percebeu que eu estou muito além dele, sou mais do que ele e, portanto, ele não pode falar comigo assim.

Nem precisamos ir muito longe, mesmo dentro do nosso ambiente familiar às vezes nos colocamos dessa forma, tanto com o companheiro como com os nossos filhos. Em situações nas quais nos permitimos ficar irritados, prontamente o ego sobe no salto e desafia o nosso interlocutor. E quando isso acontece, a razão que supostamente poderíamos ter, escorre ralo abaixo.

Somos tomados por uma somatória de emoções pouco produtivas: prepotência, soberba, desdém pela colocação alheia, persecutoriedade, e tudo isso por que? Porque nos sentimos tão vulneráveis que precisamos vestir o escudo da auto importância, precisamos atacar em uma tentativa desvairada de ferir o outro para não nos sentirmos feridos.

Quanto lixo emocional somos capazes de produzir quando nos desconectamos da nossa essência e permitimos que a personalidade roube a cena, grite, esbraveje, baseada em uma premissa duvidosa de que a vida se baseia em perdas e ganhos, em ou eu saio vitorioso das situações ou eu fracasso. E o fracasso traz sofrimento, e que direito tem o outro de me fazer sofrer??

Ledo engano, sou eu que me coloco em sofrimento, sou eu que tenho dificuldades em lidar com os meus aspectos mais frágeis, mais vulneráveis, sou eu que tenho medo do erro, do fracasso, da imperfeição... o outro só está desempenhando um papel naquele trecho da novela. O respeito que não tenho pelo outro é o respeito que não tenho por mim mesmo.

Como bem nos lembra Cortella, somos uma galáxia em um universo de aproximadamente 200 bilhões de galáxias. A Terra é um planetinha que gira em torno de uma estrela chamada Sol, que é uma estrela-anã entre bilhões de outras estrelas, em um dos universos possíveis e que tende a desaparecer. Qual é mesmo a nossa importância?
Claro, somos importantes porque só a Terra é habitável e habitada, porque somos seres inteligentes dentro desse universo... Não te parece óbvio?
Quem sabe no próximo Natal o Papai Noel nos presenteie com um certificado de seres altamente especiais!  ;)

_________________________________________________________________________________


Texto de Ana Amorim: Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos.

Comentários