Pular para o conteúdo principal

Livros: trilogia da morte anunciada

Com esse hábito de começar vários livros ao mesmo tempo acabei escolhendo três títulos coincidentemente com um ponto em comum: em todos já se sabia, logo de início, que haveria uma morte importante.

Vou falar primeiro do Pequenas Grandes Mentiras, de Liane Moriarty.

É um calhamaço, 400 páginas. Mas é tão intrigante a forma como os inúmeros personagens vão aparecendo e interagindo, sem nenhuma pista de qual deles irá morrer, que você devora as páginas para chegar ao final do mistério o mais rápido possível.

Em uma cidade praiana, uma escola pré-primária é o ponto de encontro de mães e pais de pequenos filhos de 5 anos, e é ali também que se dessenrola grande parte da trama que envolve bullying, panelinhas, fofocas, abusos e outros dramas domésticos.

É difícil perceber que você já está se apegando aos personagens sem saber qual deles sofrerá a morte anunciada nas primeiras páginas! As pistas são praticamente inexistentes e várias vezes troquei de ideia sobre quem seria a vítima.
O melhor de tudo é que não descobri, não imaginava esse final, e, principalmente, gostei muito dele!
Se você quiser uma leitura descompromissada que lhe prende a atenção e que navega por águas ora alegres ora trágicas, é uma opção interessante.


A Mulher Silenciosa, de A.S.A. Harrison

Livro igualmente interessante, mais profundo que o "Pequenas Grandes Mentiras" no sentido que os personagens são mais bem construídos e têm uma intensidade maior.
Neste caso não há a ânsia de se descobrir quem morreu: você já sabe logo nas primeiras páginas que Jodi matou o marido. Mesmo assim, há descobertas imprevistas e reviravoltas na trama.

O livro é todo narrado em capítulos alterando a visão dela com a visão dele dos fatos, o que gerou a inevitável comparação com o Garota Exemplar de Gillian Flynn.

Jodi e Todd estão juntos há 20 anos. Ela ama sua vida ao lado do companheiro a quem adora servir jantares elaborados e curtir rotinas diárias. A infidelidade serial de Todd não a altera, ela acha que ele sempre estará com ela no final das contas, para seguirem juntos com suas vidas quase perfeitas.

Porém, um belo dia ele sai de casa definitivamente e vai morar com uma moça muito jovem com quem está esperando um filho. E, após sua saída, aos poucos vai pressionando Jodi para que ela perceba que a vida a dois acabou e que ela terá que deixar a casa que adora e mudar a rotina de trabalho para poder se sustentar sozinha.
A incredulidade, o desmoronar dos sonhos e a amargura que Jodi sente transformam aquela mulher que nunca havia reclamado de nada em uma pessoa que chega a achar assassinato uma saída perfeita...

O livro é muito bem escrito e é realmente uma pena a autora só ter-nos deixado esse único título de romance.
Recomendo! Muito bom.


100 dias de felicidade, de Fausto Brizzi

Aqui a morte anunciada é do personagem narrador, que descobre um câncer em estágio avançado, inoperável, que resume sua vida a uma expectativa de cerca de três a quatro meses.

Acho que a gente está tão acostumada a ler sobre feitos fantásticos e sobre superações, que comecei a ler pensando que ele iria aproveitar esses dias para grandes feitos, retiros, iluminações, sei lá... E meio que me peguei frustrada ao ver que a contagem regressiva continuava, inexorável, mas os dias eram em sua maioria passados sem fazer grandes coisas, às vezes somente em ficar em casa pensando.

Nas suas últimas três semanas ele viaja com a família e, aí sim, você vê todo o tempo sendo aproveitado em comunhão com quem ele ama e com algo fora do cotidiano.

Apesar de às vezes ser um pouco arrastado, é um livro bem interessante pela forma diferentíssima do personagem principal narrar seus últimos dias em contagem regressiva até o dia zero, quando pratica morte assistida em uma clínica da Suíça.

Difícil imaginar que um corpo debilitado como o dele efetivamente pudesse aproveitar tanto uma viagem tão cansativa quanto a que planejou para esses últimos dias. Mas que a ideia é poética, isso é.

O autor é italiano e o romance é cheio de citações a outros italianos, atores, cantores e, destacadamente a Leonardo Da Vinci, que aparece como inventor [ou, no mínimo, idealizador] de inúmeros artefatos modernos.
É como eu disse antes: não era o que eu esperava, mas fiquei agradavelmente surpresa com o que o conto transmitiu. Arrisque!

Comentários

Postagens mais visitadas

Julho sem Desafio

De uma hora para outra me vi precisando muito de itens que não tinha, e os culpados disso são:
frio!!! Este ano o frio pegou mesmomudança de pesoreposição de lingerie e de camiseta para dormirmãe querendo iPad Depois de constatar o acima, e mesmo sendo as substituições liberadas do Desafio, achei melhor fazer uma pausa para resolver definitivamente tudo o que era preciso.


❄ O frio me pegou de surpresa, descobri que não tinha mais que uma malha de cashmere e as camisetas de manga longa eram fininhas, ou seja: não dava para sobreviver só com isso nesta temperatura baixa -- pelo menos não de uma forma fashion.
Esta época é conhecida pelo look cebola: tudo usado junto, roupa em cima de roupa, na tentativa de se agasalhar ao máximo. Não gosto desse método, muitas vezes as peças não combinam nada entre si e o resultado é, para dizer o mínimo, bem ruim.
Entendem o que digo?
Depois de malhas, outra substituição necessária: calças jeans. Emagreci um pouco e elas ficaram largas na cintura e sobra…

Destralhe digital e real

Que incrível que é mudar os parâmetros que nos acompanharam a vida inteira, não é? Ultimamente só consigo pensar em diminuir meus pertences, exatamente o contrário do que sempre fiz.


Em Maio eu estava aqui reclamando da dificuldade que estava enfrentando para deletar arquivos no computador. Update: O destralhe digital ainda está acontecendo, mas a passos de tartaruga...
São dias e dias focada em textos, em dígitos, sentindo que estou sempre na mesma: o que eu limpei ainda é muito pouco frente ao montante de arquivos.

E acho que foi isso que me fez acordar uma manhã animadíssima para destralhar objetos.
Coisas palpáveis são muito mais fáceis de limpar, e ainda se vê claramente o resultado (ao contrário do digital).


Comecei juntando todos os meus cosméticos e afins, que estavam distribuídos por 4 lugares diferentes (olha só que coisa mais errada! 😱). Sentei no chão com eles e todos passaram por uma inspeção minuciosa:
(i) validade definida pelo fabricante,
(ii) validade do produto dep…

Dicas de presente para terceira idade - I

I- Para uma senhora idosa ativa

Pessoas mais idosas são difíceis de presentear pois os itens escolhidos têm que ser muito bem pensados para que não se tornem mais um estorvo dentro da casa ou do armário.
Vale aqui a mesma coisa que pensamos quando estamos procurando algo para alguém mais jovem: qual a rotina da pessoa? qual seu hobby? do que ela gosta mais?

Para as pessoas da terceira idade que mantém rotina agitada as opções são maiores. Sei disso porque meus pais têm quase 90 anos e são super ativos, viajam, lêem, assistem filmes. Sempre mais fácil presentear nesses casos. Com quem você tem intimidade estão liberados os itens de MODA como roupas, bolsas e sapatos. Aqui seguem ideias para presentear uma idosa ativa, porém não tão íntima para escolhermos os itens acima.


Colares
Adoro senhorinhas com muitos colares ou com peças bem coloridas. É uma época da vida em que você não tem que seguir moda, você FAZ sua moda.   Este acima seria perfeito para minha mãe, que gosta de cristais e br…

As críticas feitas ao Método KonMari

Como em um mesmo dia li duas críticas ao método de destralhamento e organização de Marie Kondo, ficou claro que está havendo uma facção contrária à numerosa corrente que a aprova e admira.

Um post diz que o método KonMari não faz a pessoa se tornar minimalista. E a explicação é que se você opta por guardar o que faz seus olhos brilharem, pode guardar muito mais coisas além do que seria estritamente necessário e essencial para sua vida.
O outro[a foto acima é desse artigo] é ainda mais incisivo e seu link diz ser "anti-marie-kondo-joy-of-clutter". Neste caso, a autora defende não haver nada de errado em termos quartos cheios de relíquias e peças colecionáveis. E ironiza ao dizer que o processo proposto pela japonesa de se agradecer aos objetos antes de doá-los chegou a um nível acima na antropomorfização.

Não sou advogada contratada para defender a Kondo e seu método [risos], mas me senti impelida a escrever porque não concordo com nada disso acima.

Ambientes ou armários abar…

Tênis branco

Se vocês acompanham qualquer site ou blog de Moda já devem estar cansadas de saber que o tênis branco virou um hit. Ele está sendo usado com tudo: calças, saias, vestidos curtos ou longos, alfaiatarias, shorts, jeans, etc. Nesta imagem do blog Futilish se vê bem a versatilidade:

Como esse tênis é para ser calçado com aquela meia quase sem cano, baixíssima, ou sem meia alguma, acho que alguns modelos simplesmente não rolam. O All Star, por exemplo. Eu o acho lindo, mas ele acaba com os calcanhares!
Por isso achei interessante mostrar esta opção aqui:
Tênis Corello por R$220.
Lindinho e parece ser bem macio pois tem calcanhar e entorno do pé acolchoado. Além de ser um modelo bem feminino e totalmente street (ou seja, nada a ver com tênis específico para academia), o que é obrigatório para se fazer bonito nessa moda.
E aí, gostou? Já tem o seu?