Love is in the air


A sociedade ocidental é mesmo curiosa! Fazemos um calendário cheio de datas comemorativas; temos dia das mães, dos pais, da criança, do professor, e entre outros tantos, o dia dos namorados. É claro que há um input do comércio para que essas datas sejam lembradas e uma crítica em relação a esse fato mas, queiramos ou não, elas estão presentes e causam impacto.

Hoje é um dia que divide as pessoas em três grupos distintos: as que não ligam a mínima para essa data, as que ficam esperando por ela no desejo de viverem momentos especiais com a pessoa amada, e as que sofrem por terem perdido um amor ou por não o terem ainda encontrado. Seja lá como for, quem não deseja um amor?
 

Há quem entenda que qualquer forma de querer é amor; será?
Há o querer platônico, o suspirar e sonhar com alguém que nem foi comunicado que é objeto de desejo, muito menos conhece o sonhador, cuja projeção do ideal amoroso é lançada sobre o outro.
Há a paixão, fogo que consome o sujeito em questão, que faz arder um desejo sem fim, desejo de pele, de hálito, de posse.
Há o querer de uma companhia, de alguém que esteja por perto sempre e quando precisarmos, que funcione assim como um espantalho da solidão.
Há um querer que transforma a outra pessoa em um grande provedor responsável por preencher nossa sensação de vazio existencial, um querer narcísico onde o parceiro é visto como uma extensão de nós mesmos, o que o obriga evidentemente a obedecer nossas ordens, mesmo que nenhum dos dois saiba conscientemente disso.
Há um querer fazer do outro o culpado por todos os nossos fracassos, o responsável pelo que não deu certo em nossas vidas.
E há muitos outros quereres entrecortados, dissociados, perversos, que se fazem passar por amor.

Mas afinal, o que é o amor? Em um plano maior talvez seja uma frequência energética tão poderosa e íntegra que dela temos apenas vaga ideia.
Para nós o amor possível assemelha-se a uma colcha de retalhos, tem de tudo um pouco. Desejo, admiração, respeito, carinho, afinidades, prazer, bem querer, graça, riso, humor, ciúmes, companheirismo, gratidão, amizade, integração, perdão, vontade de cuidar, de ser cuidado, de compartilhar planos, cama, viagens, casa, filhos, e tudo mais que você quiser acrescentar, não necessariamente nessa ordem, lembrando que para amar o outro é imprescindível aprender a amar a si mesmo.

E já que hoje é domingo e dia dos namorados aproveite e faça um dia diferente, curta o seu amor, apare as arestas, ouse, quebre a rotina, permita-se! E não venha queixar-se do frio, afinal nada mais romântico do que dividir uma taça de vinho e um cobertor.
 

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Texto de Ana Amorim: Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos.

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