Malabaristas


Quando eu era criança e assistia a apresentações de malabarismo, fossem no circo ou na televisão, ficava completamente fascinada! Como é que aqueles chinesinhos (a maioria era oriental e para mim todos chineses) eram capazes de tamanha façanha? Equilibravam vários pratos suspensos em uma vara, giravam os pratos entre pernas que subiam e desciam, davam piruetas, saltavam, faziam pirâmide humana e os pratos continuavam girando sobre as varas, nenhum vinha ao chão, parecia uma dança de harmonia perfeita!!
Mal sabia que aquilo que me deixava deslumbrada naquelas ocasiões era justamente o que eu iria precisar e buscar pela vida, a possibilidade do equilíbrio. Aquela cena é uma representação simbólica do que precisamos aprender e aperfeiçoar para nos mantermos vivos e saudáveis, e é talvez o nosso maior desafio. Para conseguir coordenar os pratos que giram simultaneamente, o malabarista precisa primeiro aprender a coordenar o próprio corpo, ou melhor, os três corpos, o físico, o emocional e o mental. Isso significa que para equilibrar o que está fora é necessário primeiro equilibrar a ele mesmo, o instrumento e sujeito do processo.

E então, neste caso qualquer semelhança não é mera coincidência... é exatamente isso que acontece com todos nós. Os pratos representam os acontecimentos múltiplos e diários aos quais estamos sujeitos durante a vida. Um evento não pede licença para acontecer, simplesmente surge, aparece muitas vezes sem aviso ou não estamos suficientemente conectados para pressentir sua chegada. Para nós, desavisados e descuidados, o evento materializa-se à nossa frente, desde coisas pequenas, mas que nos causam impacto, até as grandes que nos roubam o ar e o chão; como nos equilibrar para podermos dar conta de harmonizar a vida?

Sem dúvida o equilíbrio é uma capacidade desenvolvida de dentro para fora e requer o alinhamento dos nossos corpos. A saúde do físico, emocional e mental são pré-requisitos para esse equilíbrio, e a manutenção é imprescindível, orai e vigiai! Mas talvez exista uma outra percepção que pode nos ajudar quando atravessamos turbulências, a percepção que nada existe fora de um processo e propósito. 

Dizem que o Universo leva meses para preparar um imprevisto e que sequer uma única folha de árvore cai aleatoriamente. Acreditar nisso ou não é uma opção, mas de qualquer maneira mesmo o que nos parece no momento absolutamente incompreensível acaba fazendo algum sentido quando, mais tarde, ligamos os pontos e vislumbramos um contorno passível de alguma compreensão.

Vamos lembrar da imagem dos malabaristas e buscar pelo auto conhecimento e domínio de si mesmo para que possamos atravessar a vida com a beleza, a leveza e a precisão da dança do equilíbrio!
 

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Texto de Ana Amorim: Psicóloga Clinica, Terapeuta, eterna curiosa e aprendiz de assuntos metafísicos.

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