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Ouvidos de graça

A Revista Vida Simples trouxe um artigo bem interessante:
"Ouvidos de graça. Basta se aproximar e falar a um voluntário sobre sua vida, algo que o entristece e o que mais desejar contar. O projeto Confessionário Urbano foi criado pelo americano Benjamin Mathes, que em 2012 passava por um divórcio e procurava formas de se recuperar. Ele acredita que a atenção é fundamental para todos nós e não é preciso ser especialista para aprender a ouvir. “Ao fazer isso, tiramos muitas barreiras da conexão humana”, diz. Benjamin disponibilizou, no site do projeto, um passo a passo para quem deseja abrir a escuta. Assim, qualquer um pode virar voluntário. CONFESSIONÁRIO URBANO http://urbanconfessional.org"

E, por incrível que pareça, ideia bem semelhante apareceu no livro "100 Dias de Felicidade" [resenha aqui]. Nele, o protagonista está andando sem rumo quando vê uma lojinha com letreiro Bate-papo. Ao entrar, descobre:
"uma lareira apagada, dois sofás e uma poltrona descombinados, em frente a uma televisão widescreen, uma geladeira, uma cozinha americana com chá fervendo e uma mesinha. Parece a sala de estar de uma casa à moda antiga, com móveis escolhidos ao acaso. Ou melhor, é exatamente uma casa.
O dono explica que, depois da aposentadoria, começou a se entediar muito cedo; passava os dias entre filmes velhos e a paixão histórica pela culinária. Mas não era suficiente para ele. Sentia-se terrivelmente sozinho e sua aposentadoria não lhe permitia viagens pelo mundo. E, assim, pintou o letreiro BATE-PAPO e colocou-o em cima da entrada da casa para a rua, substituindo a porta normal por uma de vidro típica de loja. Depois esperou que alguém mordesse a isca.
- A ideia é simples - explica. - Recebo completos desconhecidos em casa, preparo um bom chá com biscoitos para eles, batemos um papinho, vemos um pouco de televisão juntos, coisas asssim. Resumindo, fazemos companhia um ao outro.
Uma loja de bate-papo. Simples, mas genial."

Não é irônico que justamente numa época em que a tecnologia facilmente nos conecta com pessoas com quem havíamos perdido contato - vide todos os grupos de ex-alunos e antigos amigos que se reencontraram via Facebook - haja espaço para esse movimento que conecta desconhecidos através de conversa?

E quantas vezes a gente não se beneficiaria de um ouvido amigo que estivesse disposto a gastar seu tempo ouvindo nossas ideias, frustrações, mágoas, bobagens? Alguém solidário que não seja necessariamente um profissional pago?
*Post card anônimo publicado pelo projeto PostSecret
Adorei a proposta. E você?

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