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Livros: Lugares Escuros & Madame Charme

 
Lugares Escuros é de Gillian Flynn, a mesma autora de Objetos Cortantes e do ótimo Garota Exemplar

Em Lugares Escuros ela usa a mesma fórmula que a consagrou nos dois primeiros: os capítulos são intercalados ora com a visão de um personagem, ora com o de outro. Aqui, mais especificamente, ainda há mudança de um capítulo do tempo presente alternado com uma narração de 1985, ano em que ocorreu o crime sem solução sobre o qual toda a trama gira. 

Se há uma coisa bem original é que a personagem principal não é nada simpática, muito pelo contrário. Logo às primeiras páginas você se pergunta como vai aguentar ler algo tão longo quando a protagonista é tão repulsiva. Mas o que ocorre sempre em livros com mistério é que você só consegue se desvencilhar deles quando está tudo esclarecido, e não foi diferente neste.

Não é meu preferido da autora mas ainda assim tem suas qualidades. Confesso que não decifrei o autor dos crimes e acabou sendo um surpresa bem interessante! Arrisque.




Madame Charme é da californiana Jennifer Scott, que acabou fazendo toda uma carreira ancorada no sucesso desse livro. Ela escreveu depois Em Casa com Madame Charme e tem um blog onde professa as ideias dos livros.

Havia começado a ler Madame Charme em agosto de 2013 quando fiquei super animada com as dicas de organização de guarda-roupa, tanto é que fechei o livro e me atirei na arrumação, acabando que nem voltei para ler o final. Como eu disse na época: Um livro que nos põe a agir só pode ser bom!  :)

Agora reli-o completamente e posso dizer que, após Marie Kondo, não encontro mais nada que me instigue tanto na organização como o Mágica da Arrumação, que vocês já devem estar cansados de me ouvir falar por aqui. Por isso, hoje o Madame Charme não teve o mesmo efeito inspirador que teve há quase três anos.

Mas vamos ao livro: é baseado na temporada de intercâmbio que a autora passou em Paris, quando ficou hospedada no apartamento de uma família muito aristocrática e dotadas de hábitos rígidos e educação refinada. 

Ao comparar sua vida nos EUA e em Paris, ela traça um paralelo onde mostra que as boas maneiras, hábitos saudáveis de alimentação [como sentarem todos à mesa na mesma hora e sem outras distrações - nem pense em abrir um celular!], ouvir música clássica como distração pós jantar, e outras formalidades, a faziam aproveitar mais o momento vivido e que tudo isso deveria ser transposto para nossas vidas atuais.

Um pouco como um guia de boas maneiras, um pouco como relato interessante, há muita coisa a se aproveitar do livro. A única parte que não consigo concordar é quando ela fala em trazer formalidade às nossas vidas. 
Eu cresci em uma família extremamente parecida com a Família Charme e posso lhes dizer: formalidade em excesso cerceia a criatividade e impede que haja amor genuíno sendo demonstrado. Tudo é muito contido, muito polido. Polido DEMAIS.

Sim, jantar todos juntos é ótimo, conversas ao invés de televisão é melhor ainda. Mas precisa haver um espaço, uma liberdade para que você se expresse, para que possa dizer "eu te amo" para sua família. 
IN MEDIUM VIRTUS

Apesar dessa ressalva, é um livro fácil de ler e que nos dá ideias interessantes para o dia a dia. Experimente! 


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