Padrões de beleza

Vocês têm reparado como inúmeros veículos de comunicação estão focando em artigos contra a discriminação de pessoas por suas características físicas?
Acho super válido, parece o caminho certo a se tomar. Acredito que algo assim ocorreu antes de, por exemplo, a sociedade aceitar os casamentos homossexuais. Ou seja, se malharmos bastante mesmo que a ferro frio, depois de muito tempo se consegue um resultado. Demora, mas vem.

A ditadura que diz que somente quem é magra e jovem é bonita precisa ser mudada. Mas veja como isso é complexo: nós mesmas, as consumidoras, não aceitamos capas de revista se não houver uma modelo bem linda e bem magra estampada.

Em 2007 ouvi isso da Lenita Assef [diretora geral da Elle por dez anos, até março/2013], que ligou para minha casa devido a uma crítica que eu havia escrito à revista. Conversamos bastante e eu, como boa leiga no processo editorial, perguntei por que não se colocavam pessoas "normais" nas capas e reportagens da revista. Argumentei que ver as roupas em modelos criava uma imagem muito diferente da realidade das mulheres, era difícil se ver naqueles looks. E ela contou que já haviam tentado, mas não dava certo. Que a própria consumidora rejeitava a apresentação das peças em mulheres de padrão diferente de modelos.

Demorei um pouco para comprar essa ideia, porém no final concordei com ela.
Naquela época com pouco peso, eu queria ver na revista uma mulher mignon e magra dentro das roupas. Da mesma forma, alguém alta e/ou com mais peso gostaria igualmente de se ver retratada na capa, e assim por diante. Parei para olhar as pessoas na rua e fiquei espantada do quanto somos diversificados!

{faça esse teste, vá à janela e veja como os físicos são diferentes! Além dos óbvios extremos alta/baixa e magra/gorda, temos corpos em formato de maçã, de pera, retangulares, com muito ombro ou muito quadril, com e sem cintura, muito ou pouco busto, tornozelos finos, largos, etc., etc., etc.}

Como não daria nunca para agradar a todas, então fixou-se um "modelo" de corpo para revistas, que é justamente o das manequins altas e magras, que fotografam bem e que vestem com facilidade qualquer formato de roupa.
Sinceramente? Entendi a inviabilidade de se colocar pessoas "normais" nas capas.

Por outro lado, esse padrão definido pela mídia é uma irrealidade para a grandíssima maioria das mulheres. Logo, como podemos nos comparar a ele? Como podemos descartar quem está fora dele? Conclusão óbvia, mas que é tão difícil de enxergar no dia a dia: devemos nos aceitar como somos, não almejando um corpo como os que aparecem nas mídias. E, por conseguinte, não deveríamos julgar tanto as pessoas pela aparência.

Acredito que essa campanha pela aceitação do outro vai surtir efeitos positivos. 
A parte que vai ser mais divertida disso é poder sair de casa vestindo o que você tiver vontade, independente de estar na moda ou de ser o "esperado" para sua idade.

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