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A polêmica da modelo gorda da C&A

Campanha da CeA para sua nova coleção de jeans:
"Para marcar o lançamento da coleção de jeans, a CeA lança campanha, criada pela AlmapBBDO, que faz ao público o seguinte convite: “Entre na mistura jeans”. As peças, para mídia digital e ponto de venda, buscam reafirmar o "caráter democrático" do jeans."  link
O que criou um movimento enorme na internet foi esta foto:
Inúmeros blogs se pronunciaram repudiando a foto e a legenda, dizendo que a modelo não é gorda e que a CeA estava fazendo propaganda enganosa.
Então? Quem tem razão?
Todos os textos ressaltam que essa modelo deve vestir 44/46 e, por isso, não pode ser chamada de gorda. 

Não? Então vamos ver as outras fotos dessa mesma ação:
As modelos acima são obviamente muito magras. 
Comparando, a lindíssima modelo em questão É GORDA, sim.
Lembrando a todas que "gorda" não é xingamento

Pela definição ora vigente, gorda é qualquer uma que tenha IMC maior que 25 ou, falando de forma prática, quem veste 44 ou mais.  
 
As blogueiras que vestem tamanhos convencionados como 'plus size' se sentiram traídas pela loja por colocarem uma modelo 44/46 e chamarem de gorda. "Se ela é gorda, onde nos encaixamos?", parece ser a questão. E se preocupam com o abalo de autoestima que as mulheres de tamanhos maiores vão ter ao se compararem com a modelo e se sentirem ainda mais inadequadas, o que pode aumentar o risco de distúrbios alimentares.
Pela tabela acima se vê que para além de Adequado (palavra muito melhor do que "normal", não é?) há 4 categorias de sobrepeso. {Já para o lado do baixo peso só tem uma porque IMC muito baixo simplesmente mata a pessoa}.
A modelo está no quadro amarelo, sobrepeso. Algumas blogueiras estão nos quadros seguintes. Mas TODAS estão acima do Adequado. Logo, usando a palavra mais comum para isso: gordas. E falo de cátedra: estou vestindo 44 e me sinto gorda, com um claro sobrepeso sobre a estrutura que estava habituada a ter. E, para mim, as peças mostradas pela modelo gorda ficariam ok, o que é ótimo como opção extra em tempos de tudo 40-42!


Olhem só o que a própria modelo da campanha, Maria Luiza, falou:
Hoje vi minhas fotos da campanha da CeA virarem polêmica no Estadão, Veja, e outros sites de notícias e blogs.
Eu tenho 1,73m e peso 85kg. Meu IMC é de 28,40, portanto sou considerada uma pessoa acima do peso. Segundo o dicionário Michaelis, Gordo é quando há excesso de tecido adiposo; algo de dimensões avantajadas, bem nutrido. Segundo o Google: que tem gordura ('tecido adiposo') ou tem uma quantidade de gordura acima da usual; obeso, cheio, corpulento.
Então queria dizer, CeA, você está certa!
Eu também sou gorda. Talvez menos gorda que você, só gordinha, ou mais que você. Mas o fato é que eu também sou gorda. Isso não é ofensivo para mim. É uma característica física minha. Li muito nos comentários que eu sou uma pessoa Normal. Ainda bem né gente? Hahahaha. Mas não entendi... Se eu sou normal, quem foge disso é anormal?
Queria dizer que me sinto feliz em estar nessa campanha. O conceito dela foi valorizar a pluralidade e as variadas formas de beleza, por isso topei participar.
Me sinto feliz cada vez que vejo uma marca que não trabalhava nesse segmento, começar a trabalhar. Mesmo que ela não vá até o tamanho 60, mesmo que ela tropece no início, erre na modelagem... É o começo para que ela chegue lá um dia, e consiga abranger todos os tipos de corpos. É o começo para que possamos acabar com as divisões, com os padrões, com a objetificação da mulher. Há 5 anos venho militando por essa causa e acredito que toda representividade é válida.
Gostaria de agradecer a todos que se manifestaram a favor do respeito as mulheres. Elogios e críticas construtivas sempre serão bem vindas em todas as empresas e profissões.
Gordas, gordinhas, gordonas, e as magrinhas também... Juntas somos mais fortes! ❤"

Concordo 100% com ela. Toda representatividade é válida. E sim, há gordas que vestem 54, e nesse caso a modelo não as representa. Mas ainda assim ela retrata uma grande parcela da população que está nos tamanhos 44/46, números para os quais a CeA disponibiliza grade, o que invalida as reclamações que não há peças para gordas na loja, apesar dela vestir somente a ponta do iceberg do conceito de gorda. Fica evidente que por "gorda" se entende uma diversidade enorme de corpos!

Não seria maravilhoso se todas as lojas dispusessem de tamanhos de 36 a 58 ou mais? Sim, seria! Mas isso parece não ser viável comercialmente, senão elas já estariam investindo nisso. Quem veste números maiores têm que exigir das ditas lojas "especializadas" que modernizem seus modelos e lhes atenda melhor. Não adianta esperar isso das fast fashion atuais pois, ao que tudo indica, essa grade não faz parte do plano delas.

Conclusão: pela presente definição de gorda a agência foi correta na classificação. Para quem se sentiu desrespeitada só resta lamentar, pois eles estão certos ao usar o sentido estrito vigente da palavra. 

Agora, se a luta é para redefinir os limites do uso das palavras "magra" e "gorda", qual é a proposta para isso? Se a ideia é derrubar a ditadura da magreza excessiva, ótimo, estou dentro. Qual o plano? Porque simplesmente polemizar que a modelo gorda é magra não faz sentido com a realidade dos nossos padrões atuais.

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