As leis espirituais presentes no Método Marie Kondo

Recebi de aniversário os dois livros de Marie Kondo, “A mágica da arrumação” e “Isso me traz alegria”. Comecei a ler sem expectativas e fui “fisgada”. Me deu uma vontade louca de sair arrumando os armários!
 
Considerada pela revista Time em 2015 uma das 100 personalidades mais influentes no mundo, a especialista em organização Marie Kondo desenvolveu um método capaz de erradicar a bagunça da sua vida para sempre. Olha que é uma promessa e tanto! Mas é preciso seguir suas normas e a sequências de arrumações recomendadas. E, muito importante, é preciso descartar. Descartar tudo aquilo que não traz mais alegria. O critério não é o aspecto exterior, mas essencialmente o sentimento que aquela roupa ou aquele objeto provoca em sua alma. Além disso, ela encoraja seus leitores a agradecer a todos os objetos, livros, roupas, que nos prestaram tão bons serviços, antes de descartá-los. Curioso, não? Como resultado desse processo, além da casa arrumada, acontecem transformações significativas na vida de seus clientes: término de relacionamentos tóxicos e até mudanças de profissão. Como explicar isso?

Tenho uma opinião. Por trás de todo o discurso normativo de “como fazer”, das explicações muito “concretas” das técnicas de organização, percebo claramente duas leis espirituais que podem estar na base das mudanças que ocorrem a partir da prática de seu método: a gratidão e o caminho do coração. 

Explico. Vejo muita gente com a mente mais focada no que falta, e infeliz por isso, do que agradecida e contente com a vida que tem. Agradecermos espontaneamente, naturalmente, é raro. Marie Kondo faz da gratidão uma norma. E agradecer é enviar uma mensagem de amor e de reconhecimento para o universo. Abre portas para a abundância.
 
Mas o que achei mais genial nesse método é que ele ensina como entrar em contato com aquilo que realmente gostamos, sentimos, sem influências externas. Em nossa vida, desde sempre, somos condicionados a seguir, obedecer aos mais velhos, observar a reação dos outros diante de nossa aparência, de nossas atitudes. Recebemos essa “formatação” quando crianças e vamos vivendo com ela sem sequer tomar consciência. No entanto, o caminho para si mesmo passa necessariamente pela descoberta do que realmente nos faz feliz, do que de fato ressoa dentro de nós, independentemente da opinião de qualquer outro ser. Alguém ensinou você a fazer isso?

O método Marie Kondo, através do viés da organização, insiste nesse movimento. Diante de cada item da casa devemos nos perguntar: “Isso me traz alegria?”. Ela conta que, a princípio, os clientes não têm a menor ideia, mas que, aos poucos, vai ficando claro que tudo o que está presente em nossa vida pode e deve ser escolhido com base em um critério de felicidade pessoal, intransferível. A prática persistente desse questionamento acaba tornando cada um mais capaz de perguntar, não apenas se aqueles sapatos trazem alegria, mas se aquela companhia, aquele trabalho, todas aquelas escolhas que fazemos são realmente positivas. Isso é pura espiritualidade. Cito duas frases para comprová-lo:
“Siga sua bem-aventurança. (...) Eu sempre recomendo aos meus alunos: Vão aonde o seu corpo e a sua alma desejam ir. Quando você sentir isso, mantenha-se firme no caminho e não deixe ninguém desviá-lo dele.”   Joseph Campbell
“Qualquer caminho é apenas um caminho e não constitui insulto algum – para si mesmo ou para os outros – abandoná-lo quando assim ordena o seu coração. Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Tente-o tantas vezes quantas julgar necessárias... Então, faça a si mesmo e apenas a si mesmo uma pergunta: possui esse caminho um coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma.”
Carlos Castaneda
Na verdade, o método Marie Kondo acaba criando um benefício muito maior do que a mera “arrumação”. Ele nos lembra que para sermos felizes precisamos escolher o caminho que faz nosso coração sorrir.
 
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Texto de Marise Ribeiro: professora e tradutora de Francês, instrutora de Being Energy
 
 

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