Sobre leitura e prazer

Esbarrei num artigo excelente que já se inicia com um questionamento crucial: Por que não conseguimos mais ler?
A explicação principal é que os aparelhos digitais, pelos quais estamos cercados [micros, ipads, iphones, etc.], enviam notificações o tempo todo e nosso cérebro entende cada oportunidade de abrir uma mensagem nova como uma atitude que gera gratificação, o que é extremamente viciante.
"Informações novas criam um fluxo de dopamina no cérebro, o neurotransmissor que faz você se sentir bem. A perspectiva de obter informação nova compele seu cérebro a buscar este fluxo de dopamina. [...] Assim, a cada novo e-mail que você recebe, um pequeno fluxo de dopamina entra no sangue. Cada dose de dopamina reforça a memória do seu cérebro de que olhar e-mail libera mais dopamina. E nossos cérebros estão programados para buscar coisas que nos deem mais doses de dopamina. [...] Cada vez mais o hábito fica incutido nas próprias estruturas de nosso cérebro.
Como que os livros podem competir com isso?"
Essa é uma pergunta válida e, olhando por esse ângulo, parece que a resposta só pode ser uma: Os livros não podem competir com isso.

No entanto, o texto não considerou um fator importantíssimo: acontece algo igualmente viciante quando se engrena na leitura de uma história interessante. Há um prazer na leitura que retroalimenta o hábito. Quanto mais você lê, mais quer abrir um próximo livro. Logo, acho realmente que dopamina também é liberada neste processo.

Aí é questão de escolhermos, agora conscientemente pela posse de todos os fatos, de onde vamos extrair nossa dose de prazer diário.  

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