Livro: Antes que eu vá - de Lauren Oliver

É um livro adolescente, como o filme provavelmente também é. Mas é bonitinho e tem uma premissa interessante: se você pudesse viver seu último dia várias e várias vezes, o que faria de diferente? É um "O Dia da Marmota" {em português o título é "Feitiço do Tempo"*} em forma de livro, contendo muitos dramas de colégio mas também filosofando seriamente sobre o tempo que temos por aqui.
Resenha
Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no Thomas Jefferson, o colégio que frequenta - desde a melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento. Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, deveria ser apenas mais um dia de sua vida mágica e perfeita. Em vez disso, acaba sendo o último. Mas ela ganha uma segunda chance. Sete "segundas chances", na verdade. E, ao reviver aquele dia vezes seguidas, ela desvenda o mistério que envolve sua morte - e, finalmente, descobre o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder.
Em Antes que eu vá, Lauren Oliver expõe as complexas relações que se formam dentro de uma escola, fugindo dos estereótipos habituais. Suas personagens, que inicialmente transparecem simplesmente egoísmo e superficialidade, são densas, guardam segredos e mágoas. Ao tentar mudar os acontecimentos do dia ao qual está presa, sua heroína se humaniza e, pela primeira vez, reflete sobre sua relação com as amigas, com a família, e sobre como seria o "último dia" que gostaria de viver.

Eu gostei por ser leve e, ao mesmo tempo, profundo. São leves as bobagens de escola, os namoricos, as falas com as amigas - quem não passou por isso? E é interessante a discussão sobre como se portar em um dia que se repete seguidamente.

Trechos
"Eu não dou uma pessoa, sou uma sombra, um fantasma. Mesmo antes do acidente não sei se era alguém, é o que estou percebendo agora."

"O que estou querendo dizer é: talvez você possa se dar ao luxo de esperar. Talvez para você haja um amanhã. Talvez para você haja mil amanhãs, ou três mil, ou dez, tanto tempo, que você possa se banhar nele, deixar rolar, deixá-lo cair como moedas por entre os seus dedos. Tanto tempo, que você possa desperdiçá-lo. Mas, para alguns de nós, só existe o hoje. E a verdade é que nunca se sabe quando chegará a sua vez."

"É impressionante como as coisas mudam com facilidade, como é fácil começar na mesma estrada que sempre pega e parar em um lugar novo. Um passo em falso, uma pausa, um desvio, e você acaba com novos amigos, uma reputação ruim, um namorado, ou um término de namoro. Nunca me ocorreu antes; nunca pude enxergar. E me faz sentir, estranhamente, como se todas essas possibilidades existissem simultaneamente, como se cada momento que vivemos contivesse milhares de outros momentos diferentes."

Livro n.22/2017: ⭐ 4 de 5 estrelas

*Lembra deste filme?
 

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