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Sobrevivendo às Festas

Este período que antecede Natal e Ano Novo sempre é estressante, vocês não acham? Eu sinto um evitamento de pensar nesses assuntos, de planejar, de encarar o fato de que, dentro de praticamente um mês, estarei inevitavelmente lidando com as ditas "Festas".

Sempre acreditei que o fato de ter crescido com uma mãe que detesta qualquer evento (aniversário, Páscoa, Dia das Mães, you name it) me fez ficar aversa a comemorações. Mas hoje descobri que pode não ser só isso...

Li em Modern Mrs. Darcy a aplicação às Festas do conceito de trabalho emocional, existente no livro Quiet: The Power of Introverts in a World That Can’t Stop Talking.

Trabalho emocional seria quando você finge uma emoção ou atitude que não lhe vem fácil. É um "esforço para controlar e mudar nossas próprias emoções", podendo isso ser "associado com stress, burnout, e inclusive com sintomas físicos, como doenças cardiovasculares".

E em que época estamos mais sujeitos a fingir alegria ao participar de encontros, festas de firma, visitas a parentes que nunca vemos, etc.?... Justamente.
Isso faz com que esse trabalho emocional exagerado drene energia de quem tem um caráter mais introvertido.

Fazemos muito esforço para sorrir das piadas; para nos interessarmos nos episódios de internação que a velha tia resolve contar tão minuciosamente; para fingir atenção às falas de grandeza dos egocêntricos.
No final do dia, estamos exaustos.

Chega a ser estranho falar sobre isso porque tanta gente simplesmente AMA Natal... Para mim, que acho difícil falar ao telefone com alguém, imagine só o que é lidar com família e conhecidos, sempre imbuída daquele sorriso de beatitude que a data implica? #overwhelming

Para evitar colapso precisamos marcar horários e cumprir encontros com nós mesmas, sem outras pessoas envolvidas. Sair sozinha para andar, ler um livro, deitar e ver TV sem que haja outro ruído na casa...
É importante também entender que as interações sociais forçadas desta época podem nos derrubar. Tente manter um calendário com dias livres para você, para não desmoronar após alguns episódios de visitas forçadas.

Abaixo algumas dicas que surgiram nos comentários do post original:
  • Marque para ver os amigos depois dos feriados
  • Fique somente pequenos períodos de tempo com pessoas
  • Reconheça quando precisa de um tempo de introversão e quietude, pare antes de desmoronar
  • Alguns vão ficar com raiva, mas, e daí?
  • Tenha suprimentos suficientes para o mês todo, para evitar de ter que fazer compras naquela loucura
  • Saia do local mais movimentado e faça algo fora, mesmo que envolva trabalho como trocar fraldas, lavar louça... Pelo menos você estará sozinha por alguns minutos
  • O sentimento de depressão que nos acomete nesta época pode ser, na verdade, o trabalho emocional nos exaurindo
  • Planeje tudo antes para não ficar sobrecarregada com as tarefas
  • Faça um plano: 1) Saiba quando deixar a festa; 2) Leve extra snacks; 3) Vá lá fora com as crianças; 4) Vá ao banheiro para respirar por 5 minutos; 5) Reze para o Espírito Santo; 6) Respire, respire, respire...
  • Não fique em casa de parentes, reserve um hotel
  • Não acomode parentes, reserve um hotel
  • Tenha com você remédio para dor de cabeça
  • Procure reservar bastante tempo de "olhar-para-a-parede"
  • Se não tiver jeito, pense: É hora do show! e então pule dentro da loucura
Finalmente, um comentário que preciso colocar completo, porque concordo 100% com ele:
"As obrigações sociais são definitivamente um fator enorme, mas também há as coisas físicas (stuff). Me ressinto da obrigação de dar e receber presentes. O Natal cria tanto entulho entre presentes, refugos e decoração, que eu me sinto completamente sobrecarregada e tenho um enorme desejo de pegar tudo que está à vista e colocar direto no lixo."
Vocês já se viram nessa situação? De pensar que os presentes são só mais objetos que teremos que guardar, cuidar, dar fim eventualmente, mas que vêm para encher nossa casa do que não queremos? Quem se familiariza com o minimalismo não consegue mais ver com bons olhos esse hábito.
Evitar seria a melhor coisa. Quem consegue?

Este ano, em face de tudo que aprendi sobre trabalho emocional e pelas dicas acima, vou tentar mudar as regras do jogo. Presentes, só para os filhos (e olhe lá). Enfeites natalinos: não vou fazer. Zero. Nil. Se alguém quiser, que providencie. Ceia: vou amanhã mesmo encomendar tudo. E chega de falar sobre isto, porque este assunto me enlouquece!

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