Três livros que não recomendo

Às vezes as resenhas e sinopses dos livros nos induzem a erro. Estes três casos abaixo ilustram isso. Comprei-os interessada na trama informada e, no entanto, a leitura não foi satisfatória nem conseguiu me prender.
 

Aprendiz de cozinheiro - Bob Spitz
Sinopse:
Para o jornalista Bob Spitz, o fim de um longo casamento e a crise dos 50 anos chegaram juntos. E isso ainda coincidiu com o momento em que terminou de escrever sua aclamada biografia dos Beatles. Sozinho, sem saber como seguir adiante, resolveu atravessar o Atlântico e se dedicar a uma grande paixão: cozinhar. Spitz partiu para uma viagem pelas melhores escolas de culinária da França e da Itália. Teve aulas com grandes chefs em pequenas cozinhas domésticas de charmosas vilas do interior e em famosos restaurantes de Paris. Como bom jornalista, conseguiu extrair dos mestres seus mais valiosos segredos, que generosamente divide com o leitor em 25 receitas: de técnicas como o preparo da omelete perfeita a pratos exclusivos e deliciosos. Pelo caminho, visitou regiões belíssimas, como a Provença, a Borgonha, a Toscana. Com grande dose de ironia e bom humor, ele revela como essa aventura incrível o ajudou a superar a angústia e a desilusão amorosa, além de reencontrar o rumo de sua vida – e de sua cozinha! 

Por essa sinopse imaginei uma história de superação e realização, pontuada por um texto leve e envolvente.
O que encontrei foi um autor irascível, personagens neuróticos e termos de cozinha só conhecidos por profissionais. Me senti enganada pela resenha da Editora. Foi tão chato que não consegui terminar a leitura.


Remetente n.°15 - vários aut.
Sinopse:
Um investigador encontra 14 cartas com algo em comum: seus remetentes estão desaparecidos.
Mas ainda há mais um.
Quem será o Remetente N.15?
A cada carta, um novo autor.


A ideia é boa, mas os autores convidados a escrever, um capítulo cada, não entregam um texto razoável em inúmeros casos. Fora que muitos tiveram exatamente a mesma ideia e os textos começam quase iguais. O final é bom e inesperado, mas não vale o sofrimento de todo o meio...


As histórias que me ensinaram a viver - Jorge Bucay
Sinopse:
Demián é um jovem cheio de conflitos e questionamentos. Cansado de terapias convencionais, segue a indicação de uma amiga e procura Jorge, um psicólogo com fama de ser pouco ortodoxo. O método terapêutico de Jorge é peculiar: para transmitir seus ensinamentos e fazer o paciente refletir sobre sua vida a partir de uma perspectiva diferente, ele conta histórias clássicas, populares, antigas, modernas, famosas ou inventadas. A cada consulta, Demián expõe suas angústias e Jorge responde com um conto que mostra ao jovem como lidar com seus sentimentos e abrir a mente para novas maneiras de encarar os problemas.
De maneira engenhosa, Jorge Bucay cria uma obra brilhante por sua simplicidade. Como o livro é ambientado no consultório do fictício terapeuta, o autor nos transforma em pacientes, pois, junto com Demián, temos a chance de aprender valiosas lições por meio de suas histórias.


As histórias de consultório de psicologia/psiquiatria costumam dar bons livros, como atestam os textos de Irvin D. Yalom.
Não é o caso do livro em questão. Aqui, o paciente é mero contrarregra para a entrada das narrativas que o autor quer mostrar. O que surge disso é um livro que desmerece o valor que possam ter as histórias contadas, devido ao esquema tosco que se repete a cada capítulo: paciente chega, faz uma pergunta totalmente fora de contexto, o psicólogo diz que tem um conto para isso e daí segue o relato. Parece livro destinado a crianças! A cada capítulo se repetem "pergunta aleatória-e-historinha". Se fosse somente um livro com as tais histórias, sem essa "introdução" forçada, talvez tivesse dado certo. Dessa forma, só consegue ser irritante, de tão raso e repetitivo.

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