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Desisti das Revistas de Moda

Não recebi educação em moda e estilo da minha família natal. A importância de estudar, ser honesto e coisas desse naipe eram muito ensinadas, mas moda nem sequer era citada.

Carolina Ferraz  na 1ª edição  Outubro 2002

Foi com esta primeira edição da finada Estilo que me apaixonei por todas as possibilidades do vestir. Assinei-a por vários anos e sempre aproveitava muito o conteúdo. Comecei a engatinhar numa tentativa de estabelecer meu estilo (tenho dúvidas até hoje, resultado de anos de alheamento sobre o assunto), e aprendi muito sobre estilistas e coleções. Com esse novo olhar veio também a vontade de possuir aqueles objetos tão endeusados e, aos poucos, fiz uma coleção significativa de bolsas e sapatos grifados (da qual me arrependo um bocado).


E em 2015 outra onda de interesse cobriu essa primeira: o minimalismo. Por que ter 30 blusas se você só usa mesmo umas seis, que são as que mais gosta? Para quê tanta coisa guardada, ocupando espaço e pensamento? Após um longo período de amadurecimento sobre o tema, resolvi abraçá-lo por inteiro e fazer, deste 2018, um ano sem compras.

No entanto, isso não está sendo suficiente, ainda me vejo ansiosa. Por isso tenho agrupado peças afins e triado com a intenção de ficar com o mínimo possível de cada "coleção".
Ontem cortei pela metade o número de nécessaires e, ainda assim, não fiquei satisfeita. Como consegui(mos) acumular tanta coisa?????

Mas tergiversei... Voltando às revistas de Moda, sempre li críticas sobre elas fazerem as mulheres infelizes pelas comparações com o inalcançável mostrado nelas em termos de peças, aparência das modelos, estilo de vida.
Nunca havia sentido nada disso, mas descobri hoje por que: eu via as páginas como textos educativos que me ensinavam um novo olhar, o que era moda ou não, que cores estavam sendo mais usadas, como compor meu estilo - além de um catálogo de possíveis compras.


Em outubro passado assinei a Vogue - em uma promoção de um ano pagando  metade do preço de capa - e já me arrependi. Li hoje a Vogue deste mês e posso lhes dizer que fechei-a com uma sensação devastadora de frustração e pouca valia.
Todos os entrevistados são perfeitos: bonitos, bem vestidos, impecáveis e morando em lugares que mais parecem museus de tantas obras de arte; são super empreendedores, seus projetos triunfantes, o tempo é dividido perfeitamente, e por aí afora.

Olhei para minha vida onde: minha casa está atulhada, não tenho projetos, não construí um império, estou bem relaxada e feia até para meus padrões e... fiquei infeliz - exatamente a crítica que ouvia ser feita a respeito das revistas de moda.


[Apesar das revistas estarem tentando incluir mulheres de outras faixas etárias (veja a segunda capa acima), não me trouxe nenhum conforto, porque estas também são descritas como incríveis!]

Após um bom tempo me lamentando sozinha, derrubada, abri um email da blogueira de livros Modern Mrs Darcy e encontrei o texto exato que me fez voltar à tona: "Quando frustração é inspiração"


"Se você está frustada agora, eu quero lhe dizer: eu também. E mais: está tudo bem."

Me senti melhor lendo isso e vim escrever textão 😄.
E vou cancelar o raio da assinatura da Vogue e também o serviço de assinatura virtual GoRead, das revistas da Abril (do qual já fiz um post recomendando, veja só como a gente muda de opinião).
- E isso fez valer meu dia -

PS: como material educativo acho que elas funcionam para quem está no ponto zero sobre Moda e Estilo. Mas depois de ter-se aprendido o básico, ler o conteúdo de glória e fama que as revistam teimam em apresentar, realmente passa a ser um desserviço para nossa autoestima.

Comentários

  1. Perfeito o texto e concordo com você em tudo. Janeiro e fevereiro dei uma parada de férias na praia onde vou sempre e nesta temporada percebi a sensação de vazio que estas revistas e muitas redes sociais estavam me causando. A pressa, o espírito competitivo que faz com a gente entre no piloto automático e queira ser como todo mundo, vestir como todo mundo, viajar , comprar e gastar como todo mundo. "Todo mundo" que me refiro são os exemplos de mídia que as revistas e as redes sociais fazem com a gente engula diariamente. Meu 2018 foi um ano acelerado e até ganhei algum $ com parcerias que chegaram via instagram e blog, mas o último contrato terminou em 30 de janeiro e eu não quero mais renovar. Porque não me senti feliz, não tenho 20 e nem 30 e não quero entrar neste ritmo frenético e competitivo a que eu mesma estava me impondo. Revistas de modo, de uma certa forma nos trazem mensagem diretas e mensagem subliminares e estes dois meses me trouxeram a maturidade de refletir e perceber que atualmente estou e quero uma vida mais "mindfulness " do que uma vida de instagramer e digital influencer consumista e infeliz. Também acumulei uma certa coleção de bolsas grifadas ( só bolsas) que hoje também me arrependo. Porém, tudo nos traz aprendizagem e ainda é tempo de mudar. Obrigada por compartilhar esta experi6encia. Vai para a Festa dos Links de domingo. Beijos!
    www.janeisatomas.com.br

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  2. Janeisa, como é difícil escapar do redemoinho para o qual a mídia nos empurra diariamente, não é? Você está certíssima em buscar uma vida mindfulness, estamos mais que na hora de nos desgarrarmos de opiniões externas e buscarmos respostas não padronizadas. Obrigada por seu comentário tão pertinente. Fiquei feliz por vê-la aqui, viu? Um beijo grande

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  3. Vim parar aqui pela indicação de seu post pela Janeisa e me identifiquei muito. Deixei de assinar a Vogue e além da assinatura da Vogue, eu comprava na banca a Elle, Bazaar e L"Offi. De repente me dei conta que todas diziam mais do mesmo! Moda que é bom, nada! Fora os editoriais de moda que mostram paisagens lindas, modelos em poses acrobáticas e a roupa mesmo não dá para ver. Não bastasse tudo isso, as notícias me pareciam requentadas, pois quando chegavam nas revistas, eu já tinha lido on line. Acho que estamos vivendo os tempos finais das Revistas de Moda.
    Beijos

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    Respostas
    1. Oi Betty, sigo seu blog 🧡 e gostei muito de saber que você concorda com essa questão das revistas de moda. Também tive meu tempo de comprar mensalmente (quase) todas, procurando algo incrível - que dificilmente encontrava.
      A sua opinião sobre os editoriais é perfeita! Sempre me irritaram muito por serem inúteis.
      Obrigada por seu comentário. Um beijo

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