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Livro: A garota com a tribal nas costas - de Amy Schumer

Comprei este livro na total ignorância de quem seria Amy Schumer, a autora. Havia lido uma chamada sobre ele que pareceu interessante e o título me visgou (adoro tattoos).
 

Quando abri o livro e o primeiro capítulo era "Carta aberta a minha vagina" (assim, sem crase) e o segundo era "Minha única noite de sexo casual", juro que foi por muito pouco que não o fechei e joguei no lixo. Nessa altura já havia dado para ver que Amy é uma comediante que usa da baixaria e do autodesprezo para fazer comédia.

Mas foi bom que insisti. No meio de incidentes por demais crus e autodepreciativos, você descobre uma mulher que deu muito duro para chegar ao posto em que está na mídia; que teve uma infância difícil com uma mãe permissiva e sem critério; tem um pai doente com esclerose múltipla; que fala a linguagem do feminismo e, mais que isso, age de acordo.

Não é um livro que eu particularmente recomendo, porém há trechos empoderadores que fizeram com que a somatória fosse positiva.

Exemplos:
(1) Quando tinha 14 anos ela se voluntariou para trabalhar em um acampamento destinado a pessoas com necessidades especiais. O que ela pretendia era passar mais tempo com outros adolescentes, em particular um menino no qual estava de olho, porém foi designada a uma turma de mulheres mais velhas e acabou tendo realmente que trabalhar com elas. No final do capítulo ela dá sua visão do grupo:
As moças do Acampamento Anchor davam a cara a tapa, e me sinto grata por tê-las conhecido com apenas quatorze anos. Deixei o acampamento conhecendo um monte de mulheres que não tinham medo de chamar um cara para dançar; elas não mudavam nada pelos homens que amavam. Não tinham vergonha de suas necessidades físicas e não mentiam nem para si mesmas nem para os outros. Não tinham paciência para papo-furado ou fingimento. Riam quando queriam como se não houvesse amanhã, e se acabavam de chorar sempre que sentiam vontade. Basicamente, eu havia encontrado o meu grupo.

(2) Sobre fazer rir:
Isso sempre desmantelava a estrutura de poder em questão de segundos. Ser engraçada era minha ferramenta mais poderosa de persuasão!

(3) Sobre querer emagrecer, desejo registrado em seu diário de 20 anos, comentado agora aos 35:
Sinto muito, meninas dessa idade (20), mas, se conseguirem, é muito melhor pular essa fase de desprezo por si mesma e de tentar se outro tipo de garota. Deixem essa fase passar e se amem do jeito que são. Não desperdicem energia com isso. Se quiserem perder um pouco de peso, ótimo. Façam o que for necessário para serem saudáveis, mas que se dane o resto. Você é sexy e a pessoa que vai amá-la não vai perceber a diferença nem que você engorde cinco quilos. Eu prometo, de verdade.

(4) Após um péssimo encontro, arrumado por uma casamenteira:
Agradeci-lhe pelo seu tempo, me despedi com um abraço e saí dali arrasada. Não por mim, mas por todas as mulheres solteiras que tentam arranjar um namorado. Eu queria correr até o topo do Empire State e gritar para todas que elas valem muito mais do que isso. Que não precisam se agarrar a qualquer corpo quente só para não ficarem sozinhas nos fins de semana. Que nunca deveriam deixar uma revista, um site de namoro ou uma casamenteira monstruosa lhes dizer que estão nas últimas camadas da atratividade por causa da sua idade, do seu peso, do seu rosto ou do seu senso de humor.
Se ame! Você não precisa de um homem ou de um garoto ou de qualquer metido a especialista em amor para lhe dizer qual é o seu valor. O seu poder vem de quem você é e do que você faz! Você não precisa de todo aquele barulho, daquele zumbido constante ao fundo lhe dizendo se é ou não é boa o suficiente. Só precisa de si mesma, dos seus amigos e da sua família. E encontrará a pessoa certa, se assim quiser - alguém que respeite a sua força e a sua beleza.
Ao longo dos anos passei por muito desespero e muita insegurança. Mas, de certa maneira, fechei o ciclo. Sei qual é o meu valor. Uso meu poder. Sou eu quem diz se sou bonita. Sou eu quem diz se sou forte. Ninguém vai determinar a minha história. Quem vai fazer isso sou eu. Não é a pessoa com quem durmo que determina quem sou. Eu não sou meu peso. Sou eu mesma.

(5) Sobre revistas, após a experiência de ter uma entrevista sua publicada na Men's Health com três fotos enormes de modelos e nenhuma foto sua, a autora.
Não preciso dizer que a minha opinião sobre revistas mudou muito depois dessa experiência. O que era apenas uma forma inofensiva de entretenimento se tornou algo que parecia um pouco mais sombrio.
Nós, garotas de tamanho 40, 42, 44, 46, 48, 50... nós não queremos um dia especial; queremos todos os dias e queremos que vocês saiam da nossa frente e parem de atrapalhar nossa caminhada, porque já chegamos até aqui! Vocês estão vivendo no passado, todas as suas revistas esquisitas desatualizadas representando o mundo fashion bizarro que apresenta roupas bizarras que ninguém que eu já tenha conhecido usa. 
Alguns dias depois de receber o último email do editor que vetou as fotos na revista, saí do chuveiro e parei para me olhar no espelho. Eu estava com a pele manchada e o cabelo despenteado, nada parecida com as garotas das revistas. Mas estava bonita mesmo assim. Sou uma mulher de verdade, que digere suas refeições, tem problemas de pele e lindos bolsões de celulites nas coxas dos quais não tem vergonha. Sabe por quê? Todas nós temos essas m*****. Somos todas seres humanos.

Há outros trechos que grifei como interessantes, mas precisariam de mais contexto, então vamos ficar com estes.
Como você vê, Amy Schumer é uma mulher inteligente e engajada. Quanto ao livro, tem sua interessância mas a linguagem não é polida e os assuntos também não. Ela gosta de chocar, isso é certo. Se isso não lhe incomodar e você quiser saber mais da trajetória dessa mulher que hoje é comediante, atriz, produtora, diretora e uma das figuras mais influentes da indústria do entretenimento nos Estados Unidos, leia.
 

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